segunda-feira, maio 04, 2009

Para um mundo menos triste

Eu nunca tinha visto uma banda se preocupar com casamento e divórcio. E fiquei muito feliz ao ver o esforço do Sanctus Real em trazer a pauta de sua canção a realidade epidêmica do divórcio. Em um bem produzido esforço de se levantar contra essa realidade, a banda conseguiu sintetizar apropriadamente os elementos capazes de destruir um casamento e comentar sobre eles. Eu nem sou casado, mas já me preocupo com essa realidade por conviver no meio dela e sentir o quão venenosa e degradante ela é para nossa sociedade e nossas famílias. A originalidade do tema, abordado de forma tão direta me chamou a atenção, me fez perguntar; porque ninguém nunca pensou nisso antes? Gostaria que essa música não servisse para ninguém, mas infelizmente, tenho certeza que ela pode beneficiar a muitos.


sexta-feira, maio 01, 2009

O Veneno da Humanidade!

Tenho visto muitos discursos humanistas sobre amor e caridade. No cinema, na poesia, na arte em geral, na educação. Mas há algo de vazio nesses discursos. Sejam eles provenientes de cristãos, igrejas, religiões ou pensadores seculares e filósofos. Todos esses discursos a respeito do amor parecem sem eco na vida prática dos homens. Me lembrei de um verso, “...com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro” (Ezequiel 33:31).

Nesses momentos de crise não adianta nos furtarmos da discussão. Sei que numa hora como essas o pensamento positivo e o otimismo são muito bem-vindos. Mas não dá pra ignorar a verdade sobre essa crise. Aliás, crises! Nossos problemas modernos estão longe de serem resumidos em apenas uma crise financeira global. Não vamos nos esquecer do nosso problema nacional de educação,de distribuição de renda, do problema ambiental no mundo inteiro, nem das guerras, muito menos da sempre presente deficiente economia africana.

São muitas as crises, entretanto tenho percebido que a origem é uma só e recorrente. Antes de menciona-la vamos dar uma olhada rápida na crise atual. O dinheiro não é ilimitado. Portanto se alguém tem muito, outro alguém precisa ter muito pouco. É possível encontrar até pessoas com nada! Enquanto, por exemplo, nos EUA alguns diretores de empresas chegam a ganhar 470 vezes mais que um operário de sua própria empresa. 5% da população controla 40% da economia americana inteira. O problema começa por ai, mas vai ainda mais longe. Não bastasse estas pessoas com tanto dinheiro em caixa, eles querem ainda mais. Todos estão envolvidos em investimentos que lhes trarão ainda mais dinheiro. Há uma desculpa aqui (até válida de um ponto de vista pragmático) de que investimentos trazem progresso e empregos. Mas o fato inegável é que na medida que o capital dessas pessoas cresce o capital de outros tem minguado. É pura lei da física, a matéria não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. As notas também não.

Até ai, nada de novo. O fato desses endinheirados terem livre ambição e acumularem infinitamente mais dinheiro é onde está o problema. Esta crise está provando empiricamente que o capitalismo nunca foi equilibrado como parecia ser, mas está no exato extremo oposto do socialismo. O seu efeito colateral é o que vemos e entendemos como desigualdade social. Deveria haver um limite, ninguém poderia ser capaz de acumular desnecessários Bilhões de dólares enquanto alguns NADA tem. Digo desnecessários porque todo esse dinheiro não tem utilidade, não há no que gastar tanto dinheiro, e mesmo que haja a simples existência de tamanho poder monetário na mão de um único homem precisa ser entendido e compreendido como realmente é: Opressão social. Porque alguns tem o direito de gastar 2 milhões de dólares em uma corrida de cavalos que dura menos de dois minutos e que custa tão caro pela presença de ilustres, famosos e magnatas, enquanto outros não tem o pão?

O que isso tem haver com a crise? Me parece mais um discurso comunista, você pode dizer, mas não! Não sou comunista. Mas tem tudo haver com a crise. Qual é o problema atual? Quem tem dinheiro parou de investir. Tirando o seu dinheiro da roda para não perde-lo. Sem dinheiro girando, as economias mundiais param. O mundo para de crescer. E porque? Porque o dinheiro está na mão de seus donos.Ou melhor, nos bolsos. Se recusam a pô-lo de volta no jogo por medo de perder o que tem. Até aqui você pode pensar, “mas eu faria o mesmo, eles não são burros, estão protegendo o que é deles”. Isso mesmo! É ai que eu queria chegar!

“...com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro” (Ezequiel 33:31). Nosso mundo não está em colapso, não é o meio ambiente que está se decompondo, nem nossa sociedade. Nós estamos! É nossa ambição por LUCRO. Esse é o nosso veneno. Até podemos falar de amor, conhecimento, educação, tecnologia, progresso, mas uma coisa nunca muda há anos, nosso desejo por LUCRO. Isso tem pautado nossas decisões e definido nossa realidade como ela é hoje. Se educação, conhecimento e tecnologia fosse a solução estaríamos bem melhor agora. No entanto nosso conhecimento e nossa tecnologia nos levaram mais longe ainda. Duas Guerras mundiais e várias outras guerras homéricas e sanguinolentas no século mais educado da humanidade. Usamos aviões para jogar bombas, sistemas de foguetes espaciais para lançar mísseis e ainda travamos guerras em nome do lucro sim!

Entendo perfeitamente o medo de grandes investidores em investir em um momento como esse. O que não entendo é como somos tão cegos para ver que sem altruísmo legítimo não passaremos de discursos vazios. Com a ausência de ações sem intenção de lucro, jamais poderemos falar de amor de verdade. Bezerra da Silva disse: “Se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem”. As vezes penso que “se o homem soubesse como é lucrativo ser altruísta, seria altruísta só por ser lucrativo”. Mas como me confirmou um amigo, isso também não seria altruísta.

Para ser altruísta tem que ser doação mesmo. Sem barganha, sem troca, sem lucro. Madre Teresa dizia que: "O amor, para ser verdadeiro, tem de doer. Não basta dar o supérfluo a quem necessita, é preciso dar até que isso nos machuque”.

O colapso do mundo e da sociedade são sempre o resultado de nossa ganância. Do nosso colapso. Porque não entendemos realmente o que é mais lucrativo, se é o poder ou se é o amor. Se é o meu bem-estar ou se é o do outro (não vou dizer “bem-estar de todos” porque isso é uma utopia enquanto não compreendermos que só é possível quando pensarmos no “bem-estar do outro”). Enquanto não nos fizermos estas perguntas, e encontrarmos a sábia resposta, nos destruiremos naturalmente.

A crítica esta feita, a pergunta agora é quanto a solução. Longe de mim querer parecer piegas e resumir tudo a um simples “Jesus é a solução”. Mas a verdade é que aprendo altruísmo com Ele. Ele tem me mostrado como pensar sempre nos outros e por mais difícil que isso me seja, tenho conquistado passo-a-passo uma melhor compreensão do meu egoísmo e de como mudar. Não é fácil. Nem simples. Mas não é complicado, nem impossível. Basta mudar minha direção. Costumamos pensar que o mundo deve ser assim: De Deus para mim, do Mundo para mim. Dia-a-dia eu me convenço de que o meu papel pode ser feito, se eu estiver bem direcionado. E a direção é essa: De mim para Deus, de mim para o mundo.

quarta-feira, abril 29, 2009

"Programado para Crer"


Este é o título do artigo publicado na revista Super Interessante de Maio de 2009. O artigo nos informa que pesquisadores do Instituto de Saúde dos Estados Unidos comprovaram por um novo estudo que “o cérebro humano já nasce predisposto a acreditar em Deus”. Diz mais, “a fé não é opção pessoal nem chamado divino; é uma tendência biológica”. É claro que tudo isso é posto, tanto no artigo da super como na pesquisa, como obra da evolução das espécies em milhares de anos.

Eles perceberam que a parte da estrutura cerebral que é responsável pela “teoria da mente”, é ativada quando as pessoas pensam em Deus. Ou seja, a mesma estrutura física do nosso cérebro que é acionada quando nos simpatizamos com alguém ou temos empatia por alguma pessoa, é ativada quando pensamos em Deus. Sem essa estrutura não seriamos capazes de viver em sociedade e seriamos uma “multidão de psicopatas”. Mas é essa mesma estrutura responsável pelas complexas relações sociais que é responsável também pela nossa fé. E tanto um crente como um ateu a possuem. Talvez seja por isso Jesus tenha dito: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração...e ao teu próximo, como a tí mesmo” (Mt 22: 37-39). Deus programou nosso cérebro para se relacionar com Ele e com as pessoas da mesma maneira.



“Acreditar está em nosso DNA” diz a revista.“Se um grupo de crianças fosse deixado numa ilha deserta, elas acabariam se tornando religiosas” é o que diz o psicólogo Justin Barrett, da Universidade de Oxford. Ele é o responsável por uma polêmica pesquisa que ainda não foi concluída a respeito de porque algumas pessoas crêem e outras não. Mas arrisca um palpite “As pessoas não escolhem acreditar ou não; elas nascem acreditando. As crianças são propensas a acreditar na criação divina. Já a idéia da evolução não é natural para elas”. A revista conclui dizendo que “é como se você saísse de fabrica com um cérebro crédulo”.

Essa notícia pode ser boa ou ruim para crentes e ateus, dependendo do ponto de vista. Alguns ateus vão ignorar o fato de que se Deus existe e nos criou essa estrutura cerebral faça sentido. E usarão isto como argumento para a teimosia da espiritualidade em não desaparecer em vista dos argumentos “científicos”. Outros ateus, podem acabar por perceber que isso pode ser a demonstração de uma mente por trás da nossa. Preocupada em se comunicar conosco em Religar-se (significado do termo Religião) conosco. Por outro lado, alguns crentes ficarão felizes por perceber a mão de seu Criador em sua estrutura cerebral. Mas outros ficarão chateados pelas suposições cientificas de que isso não passa de uma estrutura fruto da evolução. O fato é que qualquer um dos lados pode usar essa informação a seu favor como argumento.

Para mim, isto é apenas mais uma evidência da criação do homem por Deus. Mais uma evidência dos argumentos que C. S. Lewis discutia com Freud. Pra mim é a prova cientifica do “Consensus Gentium”. Todos os povos tem uma religião, todos nascem predispostos a uma religião, ninguém nasce ateu. E isso faz mais sentido para a crença em Deus do que para a crença na evolução. Segundo a teoria da evolução os mecanismos desenvolvidos são para vivermos melhor e a seleção natural se encarrega de eliminar tudo o que é obsoleto e inútil. Não faz sentido a crença obsoleta em um Deus que não existe. Não faz sentido que o nosso DNA carregue um elemento tão importante na nossa cultura humana, que seja apenas inútil e fictício. E sim eu creio. Sou normal. Entretanto reconheço com isso, que Deus embora tenha nos criado para crer. Nos garantiu a liberdade, mesmo não crer nEle, nos é possível, ainda que seja antinatural. Essa pra mim é a maior evidência de um Deus de amor. Não impõe. Mas se revela. Isso me lembra um dos textos de C.S. Lewis que eu mais gosto; “"...o irresístivel e o indiscutível são as duas armas que a própria natureza [de Deus] o impede de usa-lás. simplesmente sobrepor-se à vontade humana (o que Sua presença certamente faria, ainda que em seu grau mais ínfimo) seria inutíl para Ele. Ele não pode arrebatar. pode apenas cortejar".

terça-feira, abril 28, 2009

A sabedoria de UMA vida


Fazia muito tempo que um filme não mexia comigo dessa maneira. O filme em português se chama “Na Natureza Selvagem” (Into the Wild), foi dirigido por Sean Penn e tem uma trilha sonora que ambientaliza incrivelmente o filme inteiro. Ele conta a história REAL de Chris McCandless que ao se formar, sai com seus 23 anos, sem lenço e sem documento, queimando as notas de dinheiro que tinha na carteira, para uma aventura em meio a natureza. Uma aventura anti-materialista. Que tornaria sua vida um convite a reflexão.


O filme me tocou, primeiro pela identificação com o personagem e seu desejo de viver na natureza. Segundo pela busca que ele estava realizando. Uma busca profunda pelo verdadeiro significado da vida, ou como ela deve ser vivida. Para quem nunca viu o filme, vale muito a pena. Não vá achando que se trata de entretenimento puro. O filme tem uma ideologia, ainda que sua intenção tenha sido apenas relatar e reconstruir a aventura de Chris McCandless, o filme acaba por nos trazer as conclusões de sua jornada.


Não pretendo estragar o filme para quem não viu. Mas não sabia que meu penúltimo post faria tanto sentido. Pra falar a verdade. Eu me emocionei demais, quando vi a conclusão que ele chegou a respeito da vida. Eu tinha passado o filme inteiro pensando naquilo. Fiquei imaginando quando ele perceberia a realidade que parecia estar lhe faltando. Claro, em vista de tudo que ele viveu antes, fazia sentido o rumo que tinha tomado. Entretanto ele teve várias pistas pelo caminho do que realmente era importante, mas queria perceber por si só o que era a vida. Se ele não houvesse compreendido o que ele compreendeu, o filme por mais belo e tentador que fosse, teria sido apenas intoxicante e venenoso.


Ele nunca perdeu sua fé. Isso também foi importante pra mim. Desafiou todos os paradigmas do seu tempo, mas não pode negar a existência de um Deus, mesmo sendo fruto de uma educação tirana. Via propósito na natureza e nas pessoas que conheceu.


Eis as fotos de sua aventura.


quinta-feira, abril 16, 2009

Deus e um menino



"Os homens maus não entendem o que é justo, mas os que buscam o Senhor entendem TUDO". Provérbios 28:5

domingo, abril 12, 2009

A Institucionalização do Individuo.


Dizem que a Insituição familiar está falida.
..

“O Brasil registrou, em 2007, 916.006 casamentos civis - 2,9% a mais do que em 2006 (889.828), segundo as Estatísticas do Registro Civil divulgadas hoje (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já o número de divórcios e separações foi de 231.329. Ou seja, uma dissolução para cada quatro uniões civis.Instituído em 1978, o divórcio atingiu sua maior taxa em 2007, segundo o IBGE, quando teve crescimento superior a 200%, desde 1984, passando de 0,46‰, em 1984, para 1,49‰, em 2007. Em números absolutos, os divórcios concedidos passaram de 30.847, em 1984, para 179.342 em 2007”.

Todas essas informações não deixam dúvidas quanto a Instituição do casamento. Está falindo. Pra não dizer falida, visto que muitos casamentos são mantidos legalmente, mas estão dissolvidos na prática. As pessoas não sabem mais se ligar, se conectar (como abordado em tópico anterior). Estamos cada vez mais isolados. O tempo está passando e estamos nos tornando “Ilhas”. Isso é tão nítido que até os nossos beijos, nem são beijos mais. Apenas tocamos as bochechas e emulamos o beijo através de um som produzido por nossos lábios, próximos aos ouvidos de alguém. Nossos lábios não tocam as pessoas. Exceto quando queremos nos aproveitar delas, pra nos sentirmos bem, então as beijamos com nossos lábios, mas não com nossa mente. Não com comprometimento em manter um sentimento, uma decisão. E tem sido sempre assim ultimamente, nós (EU) no centro da ação.

A falência da instituição do casamento, da família, está criando uma nova instituição. O Individuo. Esta é a Instituição em ascensão. Sim, digo instituição porque tem se rodeado de regras (não se envolver, não se machucar, não correr riscos, não abrir mão do que é por direito seu, não desistir dos seus desejos, buscar sua própria felicidade, alcançar o sucesso e etc...). Cada individuo traça as suas próprias regras. E isso é outra característica de uma instituição. Tem suas próprias regras e normas. Regras estas que regem o modo como a sociedade interage e se relaciona. Estamos naturalmente, todos juntos, caminhando para um mundo mais individualizado do que familiarizado. Falamos em globalização, mas nosso interesse é o bem-estar próprio. Percebemos que unidos vamos mais longe, não porque estamos realmente interessados com a situação de uma viúva no Afeganistão ou de um jovem confuso da Moldávia. A tão sonhada PAZ é para mim. EU quero viver em paz. E muitos de nós estamos “preocupados”(sentimento, sem ação) com a paz do Oriente Médio porque enquanto houver pessoas sofrendo, nossa paz está comprometida também.

O fim dos casamentos é apenas um sintoma deste caminho que estamos percorrendo. Uma triste evidência de que estamos nos distanciando dos velhos e tradicionais valores que nos sustentaram por tantos anos. E sabe para quê? Para que cedo ou tarde, percebamos o quanto estivemos enganados em institucionalizar o individuo, perceberemos que nos afastamos demais e que precisaremos nos reunir, não apenas nominalmente como fazemos por meio do orkut, do msn ou da globalização. Mas uma união que nós perdemos e continuamos a perder.

União legítima que só é e será possível quando aprendermos a desinstitucionalizar o nosso EU. Quando lembrarmos de velhos valores como “não há amor maior do que esse, dar a vida por seus amigos” (Jo 15:13).

Até porque a tão alardeada falência dos casamentos repousa na idéia moderna de que “o casamento é para MINHA felicidade”. Enquanto a idéia original é o casamento para trazer felicidade ao OUTRO”.

Não sei quando vamos acordar. Mas esse post é uma tentativa de mudarmos de direção. Ouvir nosso egoísmo nunca será a solução, por mais que nos agrade, o resultado será sempre a falência de nossa sociedade. Falência do amor. É impossível amar sozinho. Mas será que teremos que ficar sozinhos pra percebermos isso?

domingo, abril 05, 2009

Videolog #01

Depois de muito planejamento finalmente ficou pronto o primeiro post completamente em video. Espero que logo eu possa postar mais.

George Silva, foi o brasileiro, triatleta, que desceu do extremo norte do Brasil até o extremo sul, numa viagem de 8600km de bicicleta. No total ele já pedalou 30.000kms entre paises da América do Sul. Mas não pela simples necessidade de pedalar e se superar, parece que George tem uma missão!



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Visite o Blog de George Silva com o diário de sua viagem e acompanhe todas as pedaladas desse desafio pelo estado de São Paulo. >>> http://www.unasp-ec.edu.br/otriatleta/projeto.asp
Ou visite o site para mais informações: http://www.atletasdafe.com.br/

quarta-feira, abril 01, 2009

Dexter ataca novamente, dessa vez no Brasil!


F
ui muito criticado pelo texto sobre o seriado Dexter há quase dois anos atrás.
E com razão em algum momento. Acho que pesei demais a minha mão com críticas muito sarcásticas e irônicas aos expectadores. Aprendi demais com aquele texto. Mas aqueles que acompanham o seriado e a discussão sobre influência de mídia na sociedade já devem saber onde quero chegar. Aconteceu de novo.

Primeiro foi em Edmonton, no Canadá. O fã da série e cineasta, Mark Twitchell (foto ao lado)de 29 anos, foi acusado de homicídio por um crime que, segundo o The Canadian Press, se assemelha aos acontecimentos narrados no seriado. Johnny Altinger, que está desapareceido, teria sido morto por Mark em uma garagem - cenário que lembra muito o tipo de crime que é familiar a série americana. Dexter corta suas vitimas em pedacinhos e as lança no mar.

Eles apreenderam um script escrito por Twitchell sobre um assassino que atraiu um homem à sua morte em circunstâncias similares.De acordo a polícia local, a vítima foi aliciada em 10 de outubro para uma garagem onde Twitchell teria feito filmes. Johny teria sido atraído sob o pretexto de um encontro com uma mulher que teria contactado na internet.

“Nós temos muitas informações que sugerem que ele definitivamente idolatra ‘Dexter’ e muita informação de que ele tentou imitá-lo durante este incidente”, disse o detetive Mark Anstey do departamento de polícia de Edmonton, no Canadá. Como se ainda não bastasse, ele escreveu em sua página do Myspace, em terceira pessoa, a seguinte frase: “Mark tem muito em comum com Dexter Morgan”.

Até então, nada incomum ou digno de nota, tendo em vista os tempos quem que vivemos e a sociedade cada vez mais doente a que estamos nos acostumando a cada dia. Afinal foi apenas um caso. Uma “exceção”! Eu pensei assim, até hoje, quando uma notícia me saltou os olhos. Um problema sério da sociedade americana, os assassinos em série, estão se multiplicando, agora no Brasil. Sim, isso mesmo, no Brasil.
Sérgio Alexander, o Dexter Brasileiro.

O Jornal de Brasília (http://www.jornaldebrasilia.com.br/impresso/noticia.php?IdNoticia=325537) publicou a seguinte matéria: “Um homem de 35 anos foi apresentado ontem pela Polícia Civil do DF como suspeito de ser serial-killer. É o vendedor autônomo de veículos Sérgio Alexander Dias Casadio, acusado de ter matado três pessoas em Vicente Pires. Ao ser preso, ele agradeceu os policiais, dizendo que se não tivesse sido descoberto continuaria praticando assassinatos. Sérgio Alexander confessou que já tinha até planejado matar mais duas pessoas nos próximos dias. Sérgio Alexander aplicou injeções com anestésico em duas das vítimas. Ainda segundo os agentes, ele limpava com cuidado o local do crime para não deixar pistas.

O vendedor de carros foi preso na quarta-feira à noite em sua residência, em Vicente Pires. Segundo o delegado Erick Seba, da Delegacia de Repressão a Sequestros (DRS), Sérgio Alexander intitulava seus crimes de Operação Dexter, nome do seriado norte-americano que lhe inspirava e ensinava a matar. Em sua casa, a polícia apreendeu vários DVDs do Dexter. Também foram encontradas cópias do seriado NCIS, com o qual aprendia a limpar o local dos crimes”.

Segundo a reportagem na rede Bandeirantes, ele matou a própria namorada que havia sido cumplice em dois dos crimes anteriores. Ele limpava a cena do crime, o corpo da vítima, e jogou uma em um rio, alusão ao modo como Dexter se livra dos corpos lançando-os no mar. No caso do estado de Goiás, rios. Uma das mortes foi exatamente como uma das ultimas mortes de Dexter na 3º Temporada. Utilizando um arame com madeiras nas pontas para dar firmeza enquanto sufocava a vítima.

Não estou aqui para um grande e sonoro “Eu Avisei!”. Estou aqui para dizer o quanto podemos ser envenenados, e quando não somos, outros poderão ser. Em nome do entretenimento deixamos um seriado irresponsável ditar o destino de 3 vítimas no Brasil. Para mim e para você talvez esse seja um entretenimento inofensivo, o que duvido também, mas com certeza não foi para as vítimas de Sérgio Alexander. E quem sabe o que mais não há por ai, ou há por vir ainda? Vale a pena para nossa sociedade? Não vou repetir meus argumentos. Recomendo aos que não leram o antigo post, uma rápida conferida.

sexta-feira, março 27, 2009

A Teoria das Multiplas Burrices

Parece uma coisa bem óbvia, mas googleando por ai percebi que ainda não pensaram nisso. Howard Gardner formulou em 1985 a Teoria das múltiplas Inteligências. Uma teoria que acaba com a maneira como medimos a inteligência de alguém, o famoso teste de QI. Mas essa teoria fez e faz muito mais. Ela ajuda as pessoas a entenderem e identificarem aquilo no que realmente são boas. Onde está a inteligência de cada um. Sendo assim, a teoria demonstrou que há pessoas, por exemplo, em cuja inteligência reside na capacidade Lingüística. Elas possuem “uma sensibilidade para os sons, ritmos e significados das palavras, além de uma especial percepção das diferentes funções da linguagem”. Outras possuem Inteligência Musical, Lógico-Matemática, Espacial, Cinestésica, Interpessoa e Intrapessoal. Todas elas podem ser desenvolvidas.

Mas o que parece tão óbvio realmente, é que se existem “múltiplas inteligências” também deve existir as “múltiplas burrices”. Pra cada inteligência existente é preciso que haja uma burrice correspondente. Isso também explica muita coisa. Alguém disse (e não vou me arriscar a dizer quem pra que minha burrice não fique tão patente) “Invejo a ignorância, porque ela é eterna”. Embora a ignorância seja apenas uma forma de burrice, sim ela sempre nos acompanhará. Há os burros musicais (eu, desafino até no pensamento), os burros Lógico-Matemáticos, os burros espaciais, cinestésicos, interpessoais e intrapessoais. Antes que você pense que eu devo me achar arrogante por falar tanto da burrice alheia, preciso lhe dizer que o que me fez perceber as múltiplas burrices, foram as minhas próprias burradas.

Descobri logo cedo, que sou um burro no que tange a inteligência espacial, quando minha letra era horrível, eu não conseguia seguir os pontinhos e era péssimo jogando bola com os amigos. É por isso que odeio futebol, jogo tão mal, tão mal, que nas poucas vezes que tentei, depois de me tornar adulto, me certifiquei que o campo definitivamente não era o meu lugar. Isso não quer dizer que estou para o sedentarismo, mas definitivamente não estou para o futebol. Me lembro do último jogo que brinquei (sinônimo perfeito de: atrapalhei o jogo dos outros ou diverti a muitos). Quando um amigo lançou uma bola alta do outro lado do campo em minha direção eu me desesperei imediatamente. Não importava a velocidade da bola, o ângulo, o peso dela ou minha posição em campo (estava sozinho), eu sabia de uma coisa... Não fazia a mínima idéia de onde aquela bola ia cair e sabia que ia por tudo a perder. Me lembro que nas breves frações de segundos que se seguiram, eu calculei (mal) que a bola chegaria a minha posição na altura do meu peito. Me preparei para o impacto e para recebê-la. Estava errado. Ela me alcançou na altura da minha cintura. Mas eu ignorei completamente a realidade e tentei abaixar meu peito até a altura da bola. Imagine alguém tentando matar uma bola no peito que está na altura da cintura!!! Pois é, espero que esteja rindo, como aquelas pessoas todas me olhando. Uma coisa é certa, embora eu até possa me desenvolver e mudar esse quadro. Eu sou um burro pra essa atividade.

Mas todo esse insight e discurso é só pra gente parar um pouco e pensar o quão incompletos nós somos. Não importa se você é P.hD (conheci um que não sabia dirigir), se você é um grande expoente na medicina, ou qualquer outro campo da inteligência. Juntamente com as nossas glórias nossas burradas nos acompanham. Não importa se você é o Richard Dawkins, o Dalai Lama, o Barack Obama, o Osama (não, eu não quis rimar) ou o Papa Bento XVI. Sempre erramos. A questão é, estamos dispostos a aceitar isso?
Estamos sempre falando de “inteligências”, mas parece que ninguém está realmente disposto a falar das burrices. Pra analisar os erros, pra pedir ajuda! E aí que esta o pior mal da burrice. Não são os erros que ela provoca. O pior é se fingir de morta. Eu me impressiono em como sou esperto e inteligente para certas coisas e ignorante e tolo com outras. A percepção destes erros é muito importante para o crescimento. Mas quanto mais os percebemos, mais entendemos como somos e continuaremos sendo incompletos.

Me admiro muito dos escritores do evangelho e o próprio Jesus falarem de como preencher essas lacunas num tempo em que ainda não se falava de múltiplas inteligências. Me admira como perceberam que somos todos incompletos e que carecemos de algo para nos completar. E antes que você pense que vou me tornar místico aqui e dizer o quanto Jesus pode ser um placebo espiritual ou pode te ajudar subjetivamente. Eu preciso te dizer que eu creio que Ele é real pelas coisas que Ele falou. Pelas provas que Ele me deu. A garantia que Ele dá na Bíblia é a mais realista de todas, na prática. Veja.

Os pessimistas e céticos dirão que é impossível mudar, estamos condenados a oscilar entre nossas glórias e fracassos para sempre, a mercê de nossas fraquezas. Os otimistas dirão que nós podemos mudar realmente mesmo não vendo nem uma evidência disso ao longo da história humana. Jesus diz que jamais poderemos mudar enquanto tivermos essa natureza, mas diz que nunca mais seremos os mesmos (em uma constante mudança e crescimento) se O conhecermos. Algo do tipo: Keep it going (continue em frente). Estou certo de que essa é a melhor solução prática e plausível. Nunca seremos perfeitos e completos, porque acidentalmente e naturalmente erramos. Múltiplas inteligências e múltiplas burrices são naturais. Mas podemos melhorar sempre. Posso lutar todo dia pra ser melhor que ontem. Sem recuar um centímetro, e ainda assim continuarei imperfeito. Mas com a certeza de que posso melhorar mais amanhã. A questão então não será a mudança completa (o que é impossível em nossa realidade) ou a danação completa, mas quanto tempo eu consigo ficar no caminho do bem. Ainda que imperfeito, se eu estiver no caminho certo, estarei sempre melhor.

Sem Jesus, eu jamais perceberia isso. Sem Jesus eu nem conseguiria, porque é Ele quem renova essa certeza para mim sempre. O que Ele diz me ajuda muito a crescer todo dia. Eu confio no que Ele me ensinou. Não encontro em Jesus uma só palavra que me lance para trás. Com Ele sigo sempre em frente. Imperfeito, mas Sempre Avante!

segunda-feira, março 23, 2009

Cristianismo Puro e Simples.

Não... Apesar do título, não é um post sobre C.S. Lewis. Dessa vez é John Wesley quem se apresenta. Retirei este texto do blog "Youth Impact" que por sua vez tirou a idéia do "Pulpito Cristão". Portanto, um assunto que já se provou digno de ser compartilhado entre tantos e espero eu, que inspire a todos.

"John Wesley poupava dinheiro, mas fazia para o bem dos pobres, e não em proveito próprio. Quando consentiu em aceitar o salário da sociedade de Londres, ele mesmo limitou à modesta soma de 30 libras (750 dólares). É verdade que além disso recebia o lucro de venda de seus livros, que às vezes chegava a ser considerável. Mas, depois de retirar o necessário para suas modestas despesas, distribuía o restante com os pobres[...]Sua maneira de viver era tão singela que, quando lhe perguntavam quanto valia seu aparelho de jantar, julgando que um homem tão notável possuía talheres de grande valor, respondeu: "Tenho duas colheres de prata aqui em Londres, e duas em Bristol. Esses são todos os utensílios de maior valor que possuo atualmente, e não comprarei mais, enquanto me rodearem pessoas que careçam de pão".

"Alguns livros alcançaram venda superior as minhas expectativas, e com ela fiquei rico sem querer. mas nunca quis ser rico, nem me empenhei por isso. Como tal fortuna, porém, veio-me inesperadamente, não cumulo riquezas sobre a terra, nem entensouro absolutamente nada para mim. Meu desejo e propósito são distribuir de graça o saldo do fim do ano...minhas próprias mãos executarão a distribuição dos meus bens".

Bem diferente de tudo o que temos visto por aí, não é?


Fotos da mansão do Bispo Edir Macedo em Campos do Jordão, avaliada em mais de 6 milhões de reais. Possui 35 cômodos, sendo 18 suítes, além de um elevador panorâmico, como consta na matéria da Veja de 04/07/2007.



Jato particular de Edir Macedo (Um dos, pois o mesmo possui dois iguaizinhos ao da foto)




Fazenda
do casal Hernandes em Mairinque no valor de R$ 1.800.000,00. Somada com a casa do casal em Boca Raton (EUA), o casal possui 2,79 milhões de reais acumulados em apenas 2 propriedades, como publicado na revista Época de 27/05/2002.



Por fim, a roupa do Papa Bento XVI usada em sua visita ao Brasil foi tecida utilizando 15km de fios de ouro e prata.

Enquanto alguns entendem o evangelho como um caminho de prosperidade, riqueza e poder. Uns poucos como Wesley foram capazes de enxergar um simples carpinteiro dividindo tudo o que tinha com seus amigos... A começar por descer do Seu trono e entregar a Sua vida.


terça-feira, março 17, 2009

O ser humano está devoluindo?

Essa pergunta não se refere a teoria da evolução ou qualquer outro argumento sobre as origens. É sobre a capacidade de decisão dos seres humanos. Acho que está comprometida. Estamos cada vez mais burros, ou mais sem esperança? Porque se ignoramos os fatos em nome do nosso bem-estar passageiro é porque estamos sem esperança e desmotivados com o futuro, pensando somente no bem-estar de agora. Ou estamos simplesmente deixando de usar nossos neuronios pra nos entretermos confortavelmente. Porque a realidade é bem simples:

“Only when the last tree has died and the last river been poisoned and the last fish been caught will we realize we cannot eat money”(Somente quando a última árvore tiver morrido e o último rio estiver envenenado e o último peixe pescado nós descobriremos que não podemos comer dinheiro). Provérbio indiano.





O que faremos? Mudar é urgente. Mas estamos dispostos a abrir mão do conforto? Nossa vontade tem sido dominada pelo que devemos fazer ou pelo que queremos fazer?




quinta-feira, fevereiro 19, 2009

O Amor é voluntário!

Recebi esse texto na minha caixa de mensagens do orkut, eu nunca leio, mas o título me chamou atenção... É sempre bom encontrar ecos dos pensamentos que persigo fora de mim.

"O amor tem pouco a ver com merecimento. O amor não é um premio que se dá aos bons, mas nasce da liberdade da pessoa que ama. Nós não amamos pessoas que achamos que merecem o nosso amor ou que seriam as melhores pessoas para amarmos e sermos amados, mas amamos porque amamos!

Eu posso escolher alguém para casar a partir de um cálculo sobre as vantagens e desvantagens; mas não posso amar alguém desta forma. Amor tem um outra lógica que não obedece às regras racionais da retribuição, cálculo, comparação, etc".

Jung Mo Sung, em "O Caminho Espiritual para a Felicidade".

A escolha é de quem ama. É gratuita, imerecida e sem analise de custos e vantagens. Mas cuidado, não confundam o texto acima como uma apologia ao amor de botequim. O mesmo que diz que o amor é uma força involuntária que nos arrasta até ele. O qual não temos controle e nos domina. Vem e vai na mesma intensidade. Isso é paixão.

O texto está falando de uma decisão que "nasce da liberdade". Voluntária. Livre.

Quem tem disposição para amar dessa maneira que se voluntarie! Esse amor está em falta. Mas boteco, tem um em cada esquina...

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Um prego no inferno.

Há 3 tipos de pessoas com as quais me preocupo e tenho muita pena. (1) Os que não querem ser salvos, (2) os que querem forçar os outros a serem salvos e (3) os que não mudam. Está certo que todos estes 3 grupos tem algo em comum, a incapacidade da mudança. Cada um com suas próprias razões. Mas o formato é o mesmo, uma consistente fixação na sua própria posição. Acho que no fim de tudo os 3 grupos se resumem ao último. Pessoas que não mudam.

O próprio conceito de pessoas que não mudam, é paradoxal porque todos nós mudamos. Quer queiramos ou não. O problema desses no entanto, é não querer mudar. Estão travados por si mesmos. E quais serão as razões disso? Eu compreendo duas de imediato. Auto-defesa e egoísmo. Ambas remetem ao orgulho. E não se enganem com a auto-defesa, ela não passa de um sentimento de auto-proteção do ego(eu). Podem haver mais, ou talvez eu esteja vendo duas em uma única razão, mas o fato é que por trás de tudo vejo o danado do orgulho.

Nossa capacidade de mudança é a responsável por centenas de anos de evolução humana (não no sentido Darwiniano) social, cientifica e pessoal. É a capacidade de mudar que nos faz crescer (literalmente também), aprender, adaptar e etc. É essencial para a vida. No entanto quem é que nunca, uma vez ou outra, fosse pela simples razão de não saber para onde ir, ficou parado sem mudar? Todos nós. O problema não está em um momento isolado, numa exceção a regra, mas fazer de si mesmo um individuo tão auto-centrado a ponto de não mudar. O famoso teimoso.

Porque não mudar? Não arriscar? Não abrir mão da sua segurança própria ou dos

interesses próprios em nome de uma existência melhor? O pior é um relato bíblico que nos esclarece ainda mais sobre este assunto. Há um texto de Jesus em Mateus 7:22 em que Ele diz que ao voltar a Terra, haveria uma separação entre os justos e os injustos. E muitos dos injustos diriam: “Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres?”

Ou seja, existem pessoas que são capazes de discutir com o próprio Deus para justificar suas posições. O orgulho é tão grande que foi ele a causa da cisão no céu, a causa da queda humana e é o que fará com que seres humanos até mesmo questionem a Deus. O orgulho sempre vai longe demais. E quem não muda vive assim, fincado cada vez mais profundamente naquela posição em que se encontra.

Meu objetivo neste texto não é falar de salvação ou de conversão (mudança de direção). Mas falar de comportamento, de mentes abertas. Só podemos ser melhores se estivermos suscetíveis a mudanças. Sem exageros, é claro, tem gente que muda só por mudar, sem razões ou sem sentidos. Não é disso que estamos falando, falamos de re-avaliações, de re-analises de nossa vida e situação. Estamos prontos para mudar? Sem isso não vamos a lugar algum, ficamos parados no mesmo ponto sempre.

Mudanças são imprescindíveis em relacionamentos também. Ninguém gosta ou consegue conviver ao lado de quem não muda nunca. Pessoas intransigentes são logo deixadas sozinhas. Em se tratando de relacionamentos, mudanças pra melhor são inegociáveis. Precisamos nos atualizar para aquela(e) com quem nos relacionamos, ou não estaremos realmente amando. Não por exigência do outro, mas por necessidade nossa de sermos valiosos aqueles a quem amamos. Posso até dizer que sem mudanças não há amor. Mas ai você pode argumentar, “mas o amor nunca muda”! O sentimento não, mas a sua forma, sim! Precisa mudar. Adaptar-se. Mas aqueles que não reconhecem o amor como uma doação, e sim como um ato de receber, amam tanto quanto mudam. Em outras palavras: não amam, não mudam. Por isso acabam sozinhas, nunca foram outra coisa, senão sozinhas. Estavam apenas na companhia de alguém, que por mudar, logo reconhecerá que ao lado dela não será feliz, nem retribuído, e se move. Enquanto ela, ainda assim, não se move. Ou se move tarde demais. Uma perda de vida.

A questão toda da mudança pode se resumir em um conceito simples. O mundo muda, tudo muda ao nosso redor. Um prego colocado em uma parede, cedo ou tarde será considerado um prego fora do lugar, aporque a disposição de um quarto não dura para sempre, as paredes não duram para sempre, uma casa não dura para sempre. Tudo muda, e se o prego não mudar de lugar, será irrelevante, ultrapassado, lixo. Um dia a casa cai e o prego cai com ela. A pessoa que não muda é alguém tão comprometido consigo mesmo e sua posição, que não se move, ainda que seu lugar entre em chamas. “Um prego no inferno”.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Um Mundo Sem Amor! Um planeta de "idiotas"!

Eu não aguento mais esse mundo. Ah, não dá amigo. Não é cinísmo, nem pessimismo, mas eu tenho que ser muito centrado em mim mesmo pra ignorar os fatos. Acordo de manhã e já tem gente morrendo de fome, pela guerra, pela violência, por doenças. Tem gente sofrendo em profunda depressão por não saber como lhe dar com seus próprios problemas. Gente traumatizada porque um adulto mal caráter, que não pensa em nada além de seu prazer doentio, decidiu violentá-la em sua infância. Gente perdendo a inocência pelo veneno vendido na mídia de que o sexo é um tipo de espirro (natural, um desejo involuntário e incontrolável, comum, intenso , prazeroso e sem conseguências). Famílias que não se sustentam mais. Casais e familias inteiras dissolvidas pelo egoísmo, pela infidelidade. Pais que destratam e maltratam seus filhos. Filhos que odeiam os pais, desobedecem, desrespeitam. Pessoas que não se conectam! Uma massa hetoregenea de humanos. "E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos" (Mateus 24.12). Isso deixa o mundo muito insuportável! O amor é o que ameniza a dor. Sem ele, estamos todos em busca de beneficios próprios. Acertou o Coringa de Heath Ledger (Batman - O cavaleiro das trevas, 2008) quando diz: São todos egoistas, no fim vão comer uns aos outros.

Na revista VEJA dessa semana saiu o seguinte comentário de um leitor "sou uma pessoa sensível... mas acho que ninguém ama ninguém". Ouvi um homem experiente e maduro me dizer: "Eu tenho que pensar que meu próximo relacionamento vai dura uns 10 anos no máximo". Que mundo triste. Onde pessoas não se unem, não se acompanham, não se amam mais. Taxas astrônomicas de divórcios e separações ululam diante de nossos olhos. Quem tem esperança num mundo desses? Onde vai parar a próxima geração? Sexualmente iniciados em média aos 15 anos, sem comprometimento pessoal nenhum com os outros exceto consigo mesmos, vide o método moderno de relacionamento: "ficar". Usa-se uma pessoa por um tempo. Tudo está acima de pessoas, metas, trabalho, carreira, sucesso, prestigio, reconhecimento, divertimento, bens materiais e etc... Pomos os nossos sonhos acima de todos, como se nosso objetivo de ser feliz e realizados tivesse autonomia da ética ou do divino de passar por cima de outros. Estou falando dos sentimentos alheios, do respeito, do carinho com o próximo.



Jesus disse a frase acima (E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos). A palavra Iniquidade, vem do grego anomia. Nomos, significa Lei, acrescenta-se o "a" no começo da palavra, e ela se refere a ausência (como no português: moral + "a" = amoral. Ou seja, sem moral ou Apolitico, sem política). Ou seja iniquidade é o mesmo que sem lei. Que Lei? A Lei de Deus ora, resumida pelo próprio Cristo: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças... e ao teu próximo, como a tí mesmo" (Marcos 12:30 e 31). E não se enganem, o trecho que diz "como a ti mesmo" não quer dizer que primeiro vc deve se amar e depois aos outros, pq na ordem do texto está expressa a ordem Deus, Próximo, você. Jesus queria dizer: "Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós." (Mateus 7:12).

Jesus sabia que "quase todos" deixariam de amar. "Quase todos" quer dizer muito próximo da totalidade. Se uma familia tem 10 mebros, e quase todos vão a festa, uns 3 no máximo ficaram de fora. Se quase todos os alunos de uma sala de aula (40 alunos) tiram uma boa nota, uns poucos (7 + ou -) tiraram nota baixa. Em suma, um número muito pequeno de pessoas realmente se interessa pelo amor. Que mundo chato. Nojento. Vazio. Em colapso.

Chego a sentir que nossa solidariedade está massificada. Temos dó dos países em guerra, dos mortos de fome da África, da desigualdade social e dos casos de violência, mas não temos compaixão daqueles que nos são "próximos". Somos cheios de idéias e atitudes positivas para mudar o mundo e os seus cenários mais caóticos, mas ao ver um mendigo pedir esmola no semáforo (próximo até demais) nos recusamos, ou ajudamos porcamente. Quando um marido chega cansado do trabalho e é destratado por sua falta de energia para dar atenção a sua esposa. Ou a esposa que se empenha tanto em fazer o seu melhor e não recebe um minimo de reconhecimento. Filhos que querem mudar o mundo, mas não se importam com seu quarto ou os principios de seus pais. Adolescentes que não se importam em destratar colegas, humilha-los em publico, menosprezá-los. Jovens que só estão pensando em conseguir o que querem, usando-se uns aos outros e enterrando suas vidas irresponsavelmente, tornando se solitários. Estamos nos esquecendo da velha máxima: "Nenhum homem é uma ilha", e o meu medo é de percebermos isso tarde demais. Quando já formos todos "idiotas". Idiota, etimologicamente, é aquele que vive num mundo próprio, ensimesmado – “idios”, pessoal, próprio, singular; “otes”, habitante. O “habitante de si mesmo”. O vocábulo é muito mais interessante e rico nessa acepção, do que nas suas derivações. Quem muito se fecha passa a ser difícil de ser compreendido - pelo Outro.

Não o bastante, e o que dizer daqueles que vendo tudo isso e muito mais desistem da sua própria existência? Abrindo mão de tudo e todos para "descansarem" de seus infortunios? Esses também contribuem para o mundo triste que temos.

Deus do céu! Você nem precisa crer em Deus para reparar nisso tudo. Mas dai que esperança você tem?

Como eu creio em Deus, a minha esperança está em outras palavras do próprio Jesus: "...virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também" (João 14:3). "E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. (Apocalipse 21:3-4). Deus vai dar um jeito nesse mundo maldito. E algo me diz que os que deixarem o amor esfriar terão problemas... "Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai- vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo, e na prisão, e não me visitastes. Então também estes perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou forasteiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Ao que lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o fazer a mim" (Mateus 25:42-45). Para realizar estas coisas, é preciso amar. Nesse mundo novo e perfeito Deus não pretende prosseguir com o ciclo criminoso e destrutivo em que nós nos encontramos. Mas como é um Deus de liberdade, pretende conduzir o novo mundo, também em liberdade. Portanto, é coerente que aqueles que em liberdade, decidiram neste mundo mal, amar, serão convidados a participar do novo mundo, continuando a amar em liberdade. Coerente. E urgente! Porque eu não aguento mais esse mundo! E você?

"Aquele que não ama, não conhece a Deus, pois Deus é amor" (I João 4:8).




quarta-feira, outubro 15, 2008

E se Deus realmente existe?


Consideremos este ponto e digamos o seguinte: "Ou Deus existe ou não existe." Mas qual das alternativas devemos escolher? A razão não pode determinar nada: existe um infinito caos a nos dividir. No ponto extremo desta distância infinita, uma moeda está sendo girada e terminará por cair como cara ou coroa. Em que você aposta?

Blaise Pascal, Pensamentos (edição póstuma, 1844)


O filósofo e matemático Blaise Pascal é famoso por ter inserido em uma de suas obras a, mais tarde denominada, “aposta de Pascal”. Onde ele argumenta que alguém que Se você acredita em Deus e na Bíblia e estiver certo, será beneficiado com a vida eterna no ambiente pacifico do paraíso, mas se você acredita em Deus e na Bíblia e estiver errado, não terá perdido nada. Afinal de contas, tanto quem crê como quem não crê são capazes de viver vidas austeras, alegres, felizes e pacificas. “O sol brilha para todos” ao mesmo tempo que todos estão sujeitos as mesmas mazelas. Em suma, Se você é cristão e tem uma boa família, um ateu também pode ter. Se você é bem sucedido, um ateu também. Se você é feliz, um ateu também e assim vai... Até que no fim, ambos irão morrer, e ai está a diferença. Se você não acredita em Deus e na Bíblia e estiver certo, não terá perdido nada. Mas se você não acredita em Deus e na Bíblia e estiver errado, você irá enfrentar o juízo divino e a morte eterna.

A questão que Pascal está levantando é simples. Se ambos, cristãos e ateus podem ter a mesma existência, passar de maneira semelhante pela vida, usufruindo e sofrendo as mesmas coisas porque não apostar naquilo que é o diferencial. Afinal, se o cristão estiver errado ele receberá o mesmo que o ateu depois de sua morte, nada! Mas se estiver certo ele terá um grande beneficio enquanto o ateu um terrível destino. Porque não apostar na crença?

Alguns consideram este argumento uma falácia ad Baculum (Apelo a força) por fazer menção direta ao cristianismo apenas como única forma de ver a existência de um Deus (enquanto existe inúmeras formas). Entretanto, este é um apelo não para a existência de Deus somente, mas ao cristianismo. Pressupõe que o Deus cristão é o Deus real. No entanto, se alguém deve crer no cristianismo, faça o que ele mesmo (assim como a ciência) solicita. Avalie, analise, compare, experimente... Mas essa é outra questão. A questão aqui é que muitos ateus se refugiam na existência de inúmeros conceitos de Deus para negar todas as crenças. É como se uma excluísse a outra invalidando-as todas de uma única vez e só sobrasse as razões do ateísmo. No entanto, isso também é uma falácia. Se o Deus cristão é verdadeiro ou não (se for outro deus qualquer) não é a questão. A questão é, vale mais apena apostar que o cristianismo é real ou não, se no fim os resultados giraram entre nada, vida eterna ou danação eterna? Se o cristianismo for mentira o que nos resta? O “nada” já nos foi garantido, a questão agora é e se houver algo além do nada, de que lado da moeda, você, mais lógica e racionalmente apostará? Como Heráclito dizia, “se antes nada houve, hoje nada haveria”. Parece que há algo mais além de nada.

Nos vídeos abaixo você encontrará uma mesma pergunta (afinal é a mesma musica), se questione um pouco...

Versão em Inglês sem legenda (melhor)


Versão Acústica legendada em português


PS: Graças a Deus que a filosofia do cristianismo não gira em torno do paraíso ou do fogo infernal, embora esse seja o enfoque de muitos. Estes fatores foram usados como atrativos “motivadores” por anos em todas as religiões cristãs, porém não tem nada haver com a “boa nova do evangelho” se quiser entender melhor o que é CRISTIANISMO, leia o post: "O que preciso fazer para ser salvo" ou "E se você descobrisse que ganhou na mega-sena?"

quarta-feira, julho 02, 2008

Do jeito que o diabo gosta!

Recentemente adquiri um livro cuja leitura tem me cativado demais. “Cartas de um diabo a seu aprendiz” de C.S. Lewis (Crônicas de Nárnia). Ele é sem dúvida um dos grandes apologetas cristãos se não for o maior do Século XX (na minha opinião), dedicou essa obra cômica da ironia cristã a seu amigo J.R.R. Tolkien (O Senhor dos Anéis). Neste livro bem humorado, mas de assustadora profundidade, C. S. Lewis expõe a comunicação (via cartas) entre Fitafuso, um diabo, e seu sobrinho Vermebile, um diabo jovem e novato na “arte da tentação”. Fitafuso tem como missão, ensinar a seu sobrinho as melhores maneiras de fazer o homem cair em tentação, ou melhor, ficar longe de Deus, O Grande Inimigo dos demônios.

No sétimo capitulo do livro em questão encontramos uma interessante parte da conversa que eu gostaria de comentar. Segue abaixo na integra o primeiro texto do capítulo mencionado. Meus comentários serão acrescentados em cor amarela e dentro de colchetes.

“Querido Vermebile,


Espanta-me que você ainda me pergunte se é mesmo essencial manter o paciente na ignorância quanto a nossa existência. Essa sua pergunta, pelo menos no pé em que nos encontramos, já foi respondida pelo Alto Comando. Nossa política, no momento atual, é de nos mantermos ocultos. Claro que nem sempre foi assim. No momento, enfrentamos um cruel dilema. Quando os humanos não acreditam na existência de demônios, não temos mais os agradáveis resultados do terrorismo direto e não podemos ‘produzir’ nenhum mago. Por outro lado, quando acreditam em nós, não podemos transformá-los em materialistas e céticos.
[Aqui temos uma importante constatação, para que sejamos materialistas e céticos é preciso ignorarmos qualquer contexto espiritual. Qualquer evento de natureza sobrenatural. A doutrina do materialismo e o comportamento cético não pode existir se não houver a negação da realidade espiritual. Mas o que me impressionou realmente, e demonstrou tanto a profundidade de C.S. Lewis, quanto a mente muito a frente de seu tempo é o que vem a seguir] Pelo menos não por enquanto. Tenho grande esperança de que, no devido tempo, aprenderemos como tornar a ciência dos homens emocional e mítica a ponto de passarem a desconfiar daquilo que na verdade é a crença na nossa existência (embora não sob esse nome) ao mesmo tempo que suas mentes se mantêm fechadas para o Inimigo[Jesus]. A ‘Força da Vida’, a veneração do sexo e outros aspectos da Psicanálise podem ser bastante úteis nesse sentido. Se pudermos produzir nossa obra perfeita – o Mago Materialista, o homem que não apenas utiliza mas que na verdade venera aquilo que dá o nome vago de ‘Forças’, ao mesmo tempo que nega a existência de ‘espíritos’ -, então saberemos que a batalha chegará ao fim. [Note que ele compreende a tendência de incutir a ciência em nossa dimensão espiritual. Ele sabia que cedo ou tarde a usaríamos para preencher o vazio e a necessidade espiritual. Veja o livro/filme “O Segredo” que nada mais é do que um modo mítico de ver a ciência, usa-se a física quântica para racionalizar o sobrenatural, assim como o filme “Quem somos nós”. O “Mago Materialista” é exatamente o que a doutrina de “O Segredo” está criando. Seres que usam, supostamente, sua racionalidade e o conhecimento cientifico para alcançar um poder que sempre foi supostamente sobrenatural objetivando apenas o materialismo. Isso me espanta demais, porque Lewis escreveu tudo isso no período da Segunda Guerra Mundial! Como ele sabia que chegaríamos a esse ponto tão cedo? Estamos caindo na armadilha, exatamente como ele entendeu que cairíamos.

As quartas-feiras a noite no canal Discovery Channel (que se supõe, promova conteúdo estritamente cientifico, você poderá assistir um programa ou mais cujo tópico são eventos sobrenaturais que não podem ser explicados pela ciência. Ou seja, há um enorme desejo de se entender e provar o mundo espiritual, mas já caímos na primeira armadilha, não cremos no demônio e seus comparsas e por isso achamos q eles não existem. Somos já materialistas e céticos, é possível que você tenha facilmente torcido o nariz com essa minha ultima frase. Mas o duro é que estamos caminhando para a segunda armadilha também, e já estamos nos tornado Magos Materialistas, tudo porque negamos o óbvio.]


Enquanto isso devemos obedecer sempre às ordens que nos são dadas. Não acho que você terá muita dificuldade para deixar o seu paciente na mais perfeita ignorância. O fato de ‘demônios’ serem predominantemente figuras cômicas na imaginação dos homens modernos será de grande ajuda. Se a menor suspeita da sua existência começar a surgir na mente dele, evoque a imagem de um ser trajando roupa colante vermelha, e convença o de que, já que ele não pode mesmo acreditar numa coisa dessas, ele não pode, portanto, acreditar na sua existência. Este é um método antigo para confundi-los, tirado de um velho manual”.

quinta-feira, junho 05, 2008

Malefícios do progresso: O tiro que saiu pela culatra.

Contemple a seguinte cena: Um homem do campo, habita com sua família em um vislumbrante vale. Sua casa é rodeada por bela natureza e seus animais estão espalhados por toda parte, assim como seus filhos a brincar. Sua família é pequena para as proporções campestres, tem apenas três filhos e três filhas. Sua esposa está sempre atarefada com o cuidado da casa e da família, provendo sempre uma saborosa refeição todas as manhãs, tardes e noites. Ele, trabalho no campo todos os dias, o seu rendimento é sua sobrevivência. Ao anoitecer, os lampiões são acesos, afinal esta casa não possui energia elétrica. Eles conversam e brincam esperam a tão esperada janta. Não há o som constante da TV no fundo da conversa, apenas o som dos animais noturnos. Após uma gostosa e simples refeição todos se reúnem por alguns minutos e logo se despedem para dormir. As 18:30 as crianças adormecem e as 19:00hrs todos já estão na cama. Ás 4:30 A Esposa desse homem se levanta para preparar o dejejum. As 05:00hrs, o galo canta, o homem acorda, o cheiro de pão quente e leite fervido impregna a casa, 30 minutos e todos estão na mesa. O dia já começou. As 06:00 todos estão em suas devidas atividades. E a vida recomeça.

Se você nasceu em cidade grande deve estar desesperado só de imaginar a vida simples dessa família. Talvez esteja indignado com tanto desprezo pelo que você considera “essencial”. Ou Talvez esteja morrendo de inveja dessa família. Mas o fato é que vivem uma vida incomparavelmente menos ansiosa e frenética que a nossa. E isso é bom, isso é paz, isso é felicidade.

Felicidade? Não é possível, eles não sabem de nada que ocorre no mundo, não sentem o prazer de uma boa musica, não conhecem as luzes do Time Square, nunca riram de uma boa piada em um seriado da TV por assinatura, não sabem o que Hollywood é capaz de recriar em seus filmes, não imaginam as atrocidades ocorridas na guerra do Iraque, e nem devem saber que o mundo está em ruínas por causa da maneira como temos, predatoriamente, tratado o planeta... São uns ignorantes, como podem ser felizes?

Assistindo a uma palestra do psicólogo Graciliano Martins, descobri que o desejo só existe quando há falta do objeto desejado. Ninguém deseja água se não estiver com sede, sombra se houver calor ou necessidade de se esconder e assim por diante. Portanto, ninguém é capaz de desejar o que não conhece, ou não sabe que existe. Por isso, nada do que temos e sentimos falta em nossa vidinha civilizada, faz falta aquela família imaginada no começo.

Em nosso caso especifico, o conhecimento que temos de tanta coisa nos faz desejar cada vez mais coisas. A onda do consumo também nos empurra a nossa lista de desejos, uma lista sempre crescente e atualizável. E nós somos aprisionados por essa realidade. Parece impossível viver num lugar que não tenha padaria, locadora, internet e muito menos luz. Só quando passamos um mês sem ver o Jornal da TV é que percebemos que não precisamos dele para viver, a vida continua quer você saiba o que ocorre nela ou não.

Segundo Stephen Kanitz, em artigo publicado na Revista Veja em Agosto de 2002 (ou seja, informação velha), a cada 18 meses o volume de informações dobra. Dobra! Ou seja, se alguém fosse capaz de saber de tudo, em apenas um ano e meio saberia apenas metade do que então existe. Logo, a cada 18 meses as possibilidades aumentam, o volume de desejos pode dobrar. O vazio, o buraco da falta, aumenta e somos cada vez mais aprisionados nesse sistema que chamamos civilização, progresso.

Hoje somos estressados, não temos tempo para nada, tudo tem que ser rápido, desde nossos alimentos até nossos relacionamentos. Vivemos em busca de uma felicidade que nunca vamos alcançar, uma Utopia. Perseguindo o inalcançável. Tentando o domínio do indominável. Como a informação de Kanitz é velha, é possível que esse volume de informações dobre agora em menos tempo. Quanto mais informações temos, maiores são as cobranças e metas.

Daí quando surgem em nossas sociedades, sociopatas de todo tipo, terroristas que parecem denunciar esse falso progresso, grandes golpes e pessoas cada vez mais individualizadas e egoístas, nos perguntamos porque. Porque o 11/09, porque o holocausto, porque desejamos tanto e a custa de tudo, até da nossa própria vida e paz?

Uma vez ouvi a seguinte história. Um dos conquistadores viu um índio deitado na rede descansando em pleno dia. Ele perguntou pro índio:

-Por que você não se levanta e vai trabalhar? – O índio, confuso, perguntou:

-Para que?

-Para acumular riquezas, bens... Se você trabalhar mais hoje acumulará e poderá guardar suas caças obtidas hoje para amanhã. E poderá trabalhar menos no futuro.

-Pra que? – Persistiu o Índio.

-Ora, pra você ter uma boa vida e descansar. – O índio retrucou sem nem pensar.

-Já estou fazendo isso.


Sendo um pouco mais pragmático. Acorde sua vida é uma ilusão, você não precisa nada daquilo que pensa ser necessário para viver. A vida, a paz e a felicidade não estão no consumo, no capitalismo ou na globalização. Vida simples. Passe tempo com as pessoas que ama, não com as coisas que sonha ou os desejos que tem ou as informações que aspira, que continuarão se multiplicando infinitamente.